sexta-feira, 5 de junho de 2009

J´accuse!

Eu sou coisificada.

Ninguém me respeita quando saio na rua percebo os olhares de cobiça dos homens e desprezo das mulheres. Sou tratada com arrogância, sou exposta ao ridículo, sou tomada como medida e padrão.

Quero ter celulite em paz, quero distância do sol, não frequentar eventos com holofotes, não ser apalpada em bailes funk. Quero sentar a sombra de uma árvore em uma terça-feira a tarde e ler Saramago. Quero McDonald´s sem culpa. Quero cancelada a matrícula na academia e e mandada a merda a drenagem linfática.

Quero conhecer o amor, quero dormir de calça de moleton, quero trocado o creme anti celulite por uma assinatura do The Economist. Quero deitar mais cedo e levantar mais tarde.

Quero fazer parte de algo maior, quero poder envelhecer sem medo.

Sou produto e tenho minha humanidade e essência esmagadas. Sou exibida como troféu em uma sociedade machista e em busca da juventude eterna. Sou colocada em uma vitrine e julgada pela parte que lhes interessa.

Sou mais do que vocês vêem, tenho sangue correndo nas veias, sou de carne e osso. Sinto com intensidade, sofro com o seu prazer.

Sou a bunda da mulher melancia.

2 comentários:

  1. REAL THING
    (Luiz Alberto Benevides, 5/6/09)

    Coisificação é coisa do capeta
    Capetalismo é coisa de coisa-ruim
    Coisa pior ainda é casar com outro coiso
    Compartilhar casa caso o cara não faça caso
    Mas já que nascemos e morremos como massa
    Há mal em mandar à merda esses manés enquanto moça
    Mantendo a emoção do carpe diem sempre à mesa?

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  2. Eu, enquanto Carolina, mando manés a merda, qdo neecessário, sem pensar 2 vezes. Deve haver mal. Mas há legitimidade tbem.

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