domingo, 12 de julho de 2009

Quando a arte subiu no telhado

Arte pra mim é nosso elo de ligação. É a manifestação do humano e produto de criatividade, habilidade, obstinação e sensibilidade.

Rock foi e vai voltar a ser uma manifestação musical e artística que vai dar voz aos oprimidos. Jovens e coroas, pobres e ricos, intelectuais e ignorantes, pacifistas e violentos. O rock carrega a tradição rebelde, a musicalidade que faz o coração bater ritmado, e a poesia que faz a inteligência sentir.

Desde o seu surgimento, a tribo dos roqueiros experimentou, testou limites da sociedade, da química, do amor, do dinheiro, da moral e do próprio rock. O rock sobrevive, e é o estilo musical e a tribo mais flexível e adaptável, sacerdotes da deusa Musica que mais rapidamente se ajustam as mudanças sociais, comerciais e tecnológicas.

Arte é uma experiência, é inodora, incolor e insípida. Não pode ser engarrafada, enjaulada ou acorrentada. Arte é nossa humanidade não física.

Em 1969 os Beatles filmavam "Let it be" O conceito inicial do filme era documentar a produção de um álbum e desde o início estava previsto um show para encerrar o ciclo. Paul queria tocar em um clube pequeno. John sugeriu um local distante da Inglaterra ou um asilo (como uma forma de ironizar os críticos). Ringo queria ficar na Inglaterra e George se animava com a idéia de tocar ao vivo em qualquer lugar. A relação entre os 4 músicos já estava difícil e George Harrison chegou até a anunciar sua saída da banda ficando afastado por algumas semanas. Como não conseguiram chegar a um consenso resolveram tocar no telhado do prédio da Apple em Savile Row.

Em 1969, enquanto filmavam "Let it be", e gravavam seu último álbum juntos, os Beatles subiram no telhado da Apple em Londres. Tocaram rock. Pararam a rua, tomaram a atenção de passantes desprevenidos, gritaram aos 4 cantos do topo do mundo para todos que quisessem parar e ouvir. Foi a última apresentação pública da banda.







Ao perceber as mudanças inevitáveis a maior, e mais politizada, banda de todos os tempos libertou sua obra. Resta saber se outros, 40 anos depois, terão coragem de fazer o mesmo.

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